Desconexão com a realidade: Congresso Nacional é alvo de críticas por legislar em favor dos mais ricos
A insatisfação popular com o Congresso Nacional cresce em ritmo acelerado. Para boa parte dos brasileiros, a Casa que deveria representar os interesses coletivos tem se mostrado cada vez mais alinhada aos anseios de uma minoria privilegiada. A percepção generalizada é a de que deputados e senadores legislam com frequência em benefício dos mais ricos, enquanto deixam as demandas da população mais pobre em segundo plano.
A recente tramitação de propostas no campo tributário expõe com clareza essa lógica. Em vez de promover justiça fiscal e aliviar a carga sobre os trabalhadores e os mais vulneráveis, o Congresso tem evitado enfrentar temas espinhosos, como a taxação de grandes fortunas, lucros e dividendos. Por outro lado, medidas que preservam benefícios a grandes empresários e bancos avançam com menos resistência.
Essa tendência se repete em outras frentes. A destinação bilionária de recursos para o fundo eleitoral, os perdões fiscais a grandes devedores e a lentidão em discutir pautas sociais urgentes alimentam a percepção de distanciamento entre Brasília e o cotidiano da maioria da população. Para especialistas, há uma desconexão crônica entre o Congresso e as demandas das ruas.
“A atuação do Legislativo muitas vezes privilegia grupos de interesse com forte poder econômico, que conseguem influenciar a agenda política. Isso cria um sistema em que as prioridades do povo ficam escanteadas”, afirma o cientista político Marcos Diniz, professor da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).
A consequência direta dessa postura é o crescente descrédito das instituições. Pesquisas de opinião mostram que o Congresso está entre os órgãos com menor índice de confiança da população. A sensação de impunidade, aliada aos privilégios e escândalos que frequentemente envolvem parlamentares, reforça a imagem de um poder que legisla para poucos e ignora muitos.
Nas ruas e nas redes sociais, a cobrança por mais responsabilidade social e alinhamento com as reais necessidades do país se intensifica. O Brasil, marcado por profundas desigualdades, não pode continuar refém de um modelo político que concentra benefícios no topo da pirâmide enquanto as bases lutam por sobrevivências.

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